Português Analista Senado Administração: Estrutura das palavras
- Prof. Albert Iglésia

- 12 de set. de 2022
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1. ESTRUTURA DAS PALAVRAS Iniciaremos com um breve conceito sobre morfemas (elementos estruturais das palavras). Observe: escol-a; pré-escol-a; escol-inh-a. Percebeu que todas as palavras têm pelo menos um elemento comum entre si: escol? Além disso, percebeu que cada elemento destacável é responsável por um aspecto diferente do significado delas? Compare:
escol-: elemento básico da palavra, considerada sob o aspecto gramatical e prático, dentro da Língua Portuguesa atual;
a-: elemento que, junto ao anterior, forma o tema do nome “escola”;
pré-:indica aquilo que vem antes;
-inh-: denota ideia de diminutivo (em alguns casos, confere valor depreciativo: povinho, gentinha).
As unidades mínimas de significação que compõem uma palavra são chamadas de morfemas.
2. CLASSIFICAÇÃO DOS MORFEMAS
2.1 RADICAL – Morfema comum a uma mesma família de palavras e que possui a significação básica delas. As palavras que possuem o mesmo radical são chamadas de cognatas (pertencem à mesma família etimológica). Ex.: ferro, ferreiro, ferradura – terra, terreno, terreiro – carro, carroça, carruagem.
2.2. AFIXO (ou morfema derivacional) – Morfema capaz de alterar a significação básica de um radical, podendo também alterar a classe gramatical. Divide-se em prefixo (surge antes do radical) e sufixo (surge após o radical). Ex.: desleal – infeliz – feliz (adj.) + mente = felizmente (adv.) – favor (subst.) + ecer = favorecer (verbo). 2.3.
VOGAL TEMÁTICA – Morfema que serve de ligação entre o radical e as desinências; classifica-se em: nominal (“a”, “e”, “o”, quando átonas finais) e verbal (“a”, “e”, “i”, designam as três conjugações verbais). O conjunto radical + vogal temática denomina-se tema. Ex.: lata, combate, livro – cantar (1ª conjug.), vender (2ª conjug.), partir (3ª conjug.).
ATENÇÃO!
1 – Sofá, café, cipó, paz, lápis: os nomes terminados em vogais tônicas, bem como os terminados em consoante, não possuem vogal temática, tudo é radical.
2 – O verbo PÔR e seus derivados pertencem à segunda conjugação: “pôr” vem do latim “poer”, cuja vogal temática é “e” (2ª conjug.).
2.4. DESINÊNCIA (ou morfema flexional) – Morfema que indica as flexões das palavras variáveis, também se dividindo em: nominal (indica o gênero e o número) e verbal (indica modo-tempo e número-pessoa). Ex.: menino – menina; garoto – garota: desinência nominal de gênero (conceito sustentado por Cegalla, Ernani Terra, Celso Cunha, Ulisses Infante e Pasquale Cipro Neto, por exemplo; outros autores, como João Domingos Maia e Luiz Antônio Sacconi, dizem que a letra “o” em menino, por exemplo, é vogal temática – as bancas não costumam entrar nessa discussão, mas fica aqui o registro).
Ex.: mar – mares; giz – gizes: desinência nominal de número (de acordo com Ulisses Infante e Pasquale Cipro Neto; já Luiz Antônio Sacconi diz que a letra “e” classifica-se como vogal temática).
Ex.: estudá-va-mos: va = desinência verbal modo-temporal (pretérito imperfeito do indicativo); mos = desinência verbal número-pessoal (1ª pessoa do plural).
Ex.: vende-ríe-is: rie = desinência verbal modo-temporal; is = desinência verbal número-pessoal.
ATENÇÃO!
Desinência Nominal de Gênero X Vogal Temática Nominal. Ex.: moço – moça: as desinências nominais de gênero fazem clara distinção entre masculino e feminino; mesa, dente, livro: como percebemos, isso não acontece com as vogais temáticas nominais.
2.5. VOGAL E CONSOANTE DE LIGAÇÃO – na verdade, não chegam a ser essencialmente morfemas; pois não acrescentam nenhum significado à palavra, mas apenas facilitam a sua pronúncia. Ex.: guri + ada = gurizada – pau + ada = paulada – café + eira = cafeteira – ágil + dade = agilidade – gás + metro = gasômetro
3. PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS
Com relação ao radical, as palavras podem ser:
I. SIMPLES – possuem apenas um radical: velho, novo, Brasil, pé
II. COMPOSTA – possuem mais de um radical: ferro-velho, girassol
Quanto à origem de formação, as palavras podem ser:
I. PRIMITIVAS – não derivam de outras da Língua Portuguesa, mas podem dar origem a outras palavras: pedra, pobre, ferro.
II. DERIVADAS – originam-se de outras palavras da Língua: pedreiro, empobrecer, ferradura.
Os Processos Principais
3.1 Derivação
I. PROGRESSIVA – com o acréscimo de afixos, dividindo-se em:
a) PREFIXAL – com o acréscimo de prefixo: desleal, infeliz, pré-história, vice-diretor.
b) SUFIXAL – com o acréscimo de sufixo: lealdade, felicidade, historiador, diretoria.
c) PREFIXAL E SUFIXAL – com o acréscimo de prefixo e sufixo: deslealdade, infelicidade, pré-historiador, vice-diretoria.
d) PARASSINTÉTICA – com o acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo: empobrecer, ajoelhar, engavetar.
II. REGRESSIVA, DEVERBAL, PÓS-VERBAL – ocorre quando se retira a parte final de uma palavra primitiva, obtendo por essa redução uma palavra derivada; ocorre frequentemente na formação de substantivos abstratos a partir de verbos (principalmente com os da 1ª e 2ª conjugações), substituindo a terminação verbal pela vogal temática nominal.
Ex.: buscar – busca; cortar – corte; perder – perda; vender – venda; sacar – saque; tocar – toque
ATENÇÃO!
s substantivos deverbais são sempre nomes que denotam ação. Isso é importante porque há casos em que o verbo se forma a partir do substantivo. Quando a palavra denota algum objeto ou substância, é o verbo que deriva do substantivo.
Ex.: planta (obj.) – plantar (verbo deriv.); perfume (subst.) – perfumar (verbo deriv.); azeite (subst.) – azeitar (verbo deriv.)
III. IMPRÓPRIA – ocorre quando determinada palavra, sem sofrer qualquer acréscimo ou supressão em sua forma, muda de classe gramatical; também pode acontecer de a palavra mudar a sua classificação dentro da própria classe gramatical.
Ex.: Você aceita um não como resposta? (advérbio virou substantivo)
O Dr. Leão é um bom médico. (substantivo comum virou substantivo próprio)
José Oliveira (substantivo comum virou substantivo próprio)
Ele é inteligente e lido (adjetivo a partir do particípio verbal)
Ela pisava forte. (adjetivo virou advérbio)
Silêncio! Bravo! Viva! (substantivo, adjetivo e verbo viraram interjeição)
Quer... quer...; Já... já... (verbo e advérbio viraram conjunção).
3.2 Composição
I. JUSTAPOSIÇÃO – as palavras são colocadas lado a lado, não há alteração fonética em nenhuma delas, ambas conservam seu acento tônico: segunda-feira; passatempo, democracia, agricultura.
II. AGLUTINAÇÃO – ocorre quando os elementos sofrem alterações fonéticas, fundindo-se num só; neste caso só há um acento tônico: em + boa + hora = embora; plano + alto = planalto; retilíneo; crucifixo; ambidestro; demagogo.
Outros Processos de Formação de Palavras
3.3 Abreviação, Redução Vocabular
Emprega-se parte da palavra no lugar da sua totalidade.
Ex.: cinematógrafo – cinema – cine; pneumático – pneu; extraordinário – extra; pornográfico – pornô; otorrinolaringologista – otorrino; poliomielite – pólio.
3.4 Sigla
Consiste na utilização das letras iniciais que formam a expressão.
Ex.: FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
ONU – Organizações das Nações Unidas
Embratur – Empresa Brasileira de Turismo
3.5 Onomatopeia
Ocorre quando se forma uma palavra por meio da imitação de sons; procura-se reproduzir um determinado som, adaptando-o ao conjunto de fonemas de que a língua dispõe.
Ex.: miau, cacarejar, pingue-pongue, tique-taque, reco-reco, zunzunzum, relinchar.
3.6 Hibridismo
Consiste na associação de elementos oriundos de línguas distintas.
Ex.: abreugrafia (abreu – português; grafia – grego)
automóvel (auto – grego; móvel – latim)
sociologia (sócio – latim; logia – grego)
goiabeira (goiab – tupi; eira – português)
burocracia (buro – francês; cracia – grego)
sambódromo (sambo – africano; dromo – grego)
surfista (surf – inglês; ista – grego)
bígamo (bi – latim; gamo – grego)
endovenoso (endo – grego; venoso – latim)
monóculo (mono – grego; culo – latim)
televisão (tele – grego; visão – latim)
Questões comentadas
1. (FGV – PREF. DE SALVADOR-BA – TÉCNICO DE ENFERMAGEM DO TRABALHO – 2019) O segmento aborda estudo ligado à oncologia, “estudo do câncer”.
Assinale a opção que indica o vocábulo formado por esse mesmo radical e mostra seu significado corretamente.
a) Filologia: estudo das relações sociais.
b) Biologia: estudo dos habitats.
c) Pneumologia: estudo dos vários tipos de borracha.
d) Ideologia: estudo de deficiências mentais.
e) Andrologia: estudo físico do homem.
Comentário – Filologia é o estudo científico da evolução de uma língua ou de famílias de línguas. Biologia é a ciência que estuda seres vivos (animais e vegetais). Pneumologia significa estudo sobre os pulmões e as doenças pleuropulmonares. Ideologia é o estudo da formação das ideias e de um sistema de ideias. Gabarito – E.
2. (FGV – DPE-RJ – TÉCNICO SUPERIOR ESPECIALIZADO – ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS – 2019) “Um homem acorda gravemente ferido no meio de um lixão”; a palavra “lixão”, apesar do sufixo aumentativo, não mostra esse valor, formando um vocábulo com novo sentido (texto 3). O mesmo ocorre em: a) casa / casarão; b) papel / papelão; c) homem / homenzarrão; d) pacote / pacotão; e) cão / canzarrão. Comentário – Questão interessante, pois demonstra que os sufixos aumentativos nem sempre designam aumento de tamanho físico. A palavra “lixão” já está consagrada na língua como aterro sanitário onde se deposita em camadas o lixo compactado. Dentre as alternativas apresentadas pela banca, a palavra “papelão” também não designa aumento de físico de um papel qualquer, mas sim um tipo de papel grosso e resistente usado na fabricação de caixas, embalagens, pastas, capas de livro, cartões etc. Figuradamente pode também significar comportamento inadequado, reprovável ou ridículo. Gabarito – B.
texto 2
“Em vista disso, inteligência e sabedoria são dois conceitos interessantes. Assim, poderemos ter uma ideia mais precisa e útil do que realmente são. Afinal, se queremos algo, além de ter um alto QI, é necessário desenvolver uma sabedoria excepcional e moldar uma personalidade virtuosa. Isso vai um passo além do cognitivo e do emocional”
3. (FGV – TJ-SC – ANALISTA JUDICIÁRIO – 2018) Nesse segmento do texto 2, a palavra formada por processo de formação originalmente diferente dos demais é:
a) sabedoria;
b) realmente;
c) desenvolver;
d) excepcional;
e) personalidade.
Comentário – Com exceção da palavra desenvolver, que é palavra primitiva, as demais são formadas por derivação sufixal: sabedoria = saber + doria; realmente = real + mente; excepcional = excepcionar + al; personalidade = personalizar + dade. Gabarito – C.
4. (FGV – ALERJ – ESPECIALISTA LEGISLATIVO – 2017) O vocábulo abaixo que é formado pelo processo de parassíntese é: a) pré-história; b) inconstitucional; c) perigosíssimo; d) embarque; e) desalmado.
Comentário – Na parassíntese, tanto o prefixo quanto o sufixo são imprescindíveis à formação da palavra. Eles devem ser acrescentados simultaneamente, sob o risco de o vocábulo simplesmente deixar de existir na nossa língua. É o que ocorre com “desalmado” (letra E). O prefixo “des” e o sufixo “ado” não podem ser retirados. Na primeira opção, temos derivação prefixal.
Na palavra “inconstitucional” (letra B), nota-se a presença de prefixo e sufixo, porém eles não foram empregados necessariamente ao mesmo tempo. É possível extrair, por exemplo, o prefixo “in” e dar ocasião à palavra “constitucional”. Em C, ocorreu derivação sufixal. Na palavra “embarque”, substantivo abstrato que denota a ação de “embarcar”, houve derivação regressiva. Gabarito – E.
5. (FGV – ALERJ – ESPECIALISTA LEGISLATIVO – 2017) Em todas as frases abaixo há estrangeirismos; indique o item em que se afirma corretamente algo sobre o estrangeirismo sublinhado:
a) “O currículo foi entregue à secretária do colégio” / adaptação gráfica da forma latina curriculum;
b) “O álibi apresentado ao juiz foi o suficiente para inocentar o acusado” / utilização da forma latina original;
c) “O xampu era vendido pela metade do preço” / tradução da forma inglesa shampoo;
d) “As aulas de marketing eram as mais interessantes” / adequação gráfica de palavra inglesa;
e) “Os encontros dos adolescentes eram sempre no mesmo point da praia”/ tradução de palavra portuguesa.
Comentário – Alternativa B: errada. A forma latina original não apresenta acento: alibi. Alternativa C: errada. Não se trata de tradução, mas sim de adequação à forma aportuguesada da palavra. Alternativa D: errada. A palavra inglesa foi usada em sua forma original. Alternativa E: errada. A palavra também manteve sua forma original. Gabarito – A.
Trechos retirados do curso Ponto Elite para o Senado Federal - Analista Legislativo - Especialidade Administração - rodada 1 - Língua Portuguesa ministrada pelo Prof. Albert Iglésia. Abaixo segue o link do curso:
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